Jesus cura no sábado

 

“Partindo dali, entrou na sinagoga deles. E estava ali um homem que tinha uma das mãos ressequida. Eles, para o acusarem, o interrogaram: É lícito curar no sábado? Ele lhes respondeu: qual de vós será o homem que, tendo uma ovelha, e, no sábado, ela cair numa cova, não vai apanhá-la e tirá-la de lá?
Quanto mais vale um homem do que uma ovelha? Logo, é lícito fazer bem nos sábados. Então disse àquele homem: Estende a tua mão. Ele a estendeu, e ficou sã como a outra. Os fariseus, tendo saído, formaram conselho contra ele para o matarem. Jesus, sabendo isso, retirou-se dali. Acompanhou-o uma grande multidão, e ele curou a todos”. (Mateus 12.9-15).
Jesus entrou na sinagoga deles.
Quando estudamos a bíblia, precisamos fazer algumas perguntas e buscar as respostas a fim de que possamos compreender o texto. Nesse caso, precisamos saber o que é uma sinagoga e a quem se refere o pronome possessivo “deles”. Quem são essas pessoas? O texto está se referindo aos fariseus do relato anterior (Mateus 12.2). Após o incidente das espigas, quando os religiosos acusaram os discípulos, Cristo se encontra novamente com eles. Seria um novo confronto, mas poderia também ser uma nova oportunidade que Jesus estava dando àquelas pessoas.
A sinagoga era um local de reunião dos judeus. Ali se estudava a lei e as tradições judaicas. A lei de Moisés não ordenava a construção de sinagogas, mas de um único local de culto e sacrifício, que seria o templo. De onde então surgiram as sinagogas? Pesquisas nesse sentido apontam para o período do exílio babilônico, quando os judeus deixaram de ter um templo para adorarem ao Senhor. Então, passaram a se reunir em pequenos grupos em diversos lugares. Parece ter sido esta a origem das sinagogas, as quais existem ainda em muitos países.
Por quê Jesus foi à sinagoga? Porque ali se reuniam os judeus, e Jesus era um deles. Entretanto, sua ida mostra também seu amor pelos judeus e seu desejo de salvá-los. Ele entrou na sinagoga, demonstrando iniciativa e comprometimento. Ele ia atrás das pessoas para cumprir a missão do Pai.
Quem estava na sinagoga?
O texto cita Jesus, os fariseus e um homem que tinha uma das mãos ressequida. Sua enfermidade parecia antiga e definitiva. Sua mão direita era seca, atrofiada, paralisada. É provável que aquele enfermo fosse um freqüentador daquele lugar, mas nada mudava em sua vida. Sua religião não era capaz de curá-lo, mas, quando Jesus chega, tudo muda.
As pessoas presentes naquela reunião não tinham plena consciência de quão especial era aquele momento. Jesus estava no meio delas. Deviam ter parado tudo, prostrado aos seus pés para adorá-lo, suplicando a sua bênção, o seu toque e os seus ensinamentos. Entretanto, não sabiam muito bem quem era Jesus, por mais que tivessem informações a seu respeito. Sabiam que ele era um judeu, um mestre, que realizava curas, mas não imaginavam que ele era o próprio Deus, o salvador de suas almas.
Podemos comparar aquela cena com muitos eventos religiosos. Temos consciência da presença de Jesus no nosso meio? Nós o conhecemos e o reverenciamos como Deus, ou temos uma idéia errada ou incompleta a respeito dele? Muitos buscam a Jesus apenas para receber alguma coisa dele, mas não para servi-lo, entregando-lhe suas vidas.
Os fariseus estavam ali diante de Cristo, mas olhavam para ele com desprezo. Estavam na sinagoga para cumprir ritos religiosos, mas não para servir a Deus, pois menosprezavam aquele que o Pai enviou. Não existe valor na religiosidade que exclui a pessoa de Cristo.
Outro tipo de pessoa ali presente era o enfermo. Não temos muita informação a respeito dele. Não sabemos sequer o seu nome, mas concluímos que ele estava ali em silêncio, humilde, desejando ser abençoado. Estava na expectativa, com esperança e fé. Ele não encontrou Jesus, mas Jesus o encontrou naquele lugar. Talvez aquele único homem tenha sido o motivo pelo qual o Mestre tenha entrado na sinagoga.
Jesus está no nosso meio. Que tipo de pessoa é cada um de nós? Somos como os fariseus ou como o enfermo? De fato, todos estão contaminados pela enfermidade do pecado e precisam de cura espiritual, mas muitos não reconhecem sua condição e não se humilham diante de Deus.
Qual é a nossa atitude diante do Senhor?
Os fariseus se aproximaram de Jesus para fazer-lhe uma pergunta. Quem assistisse aquela cena, talvez pensasse que eles pudessem estar interessados nos ensinamentos de Cristo, mas não estavam. Eles não desejavam aprender nada, pois já se consideravam sábios e entendidos.
Eram orgulhosos e soberbos. Suas perguntas eram questionamentos impertinentes. Queriam respostas, mas não gostariam de ter compromisso com Jesus. Não desejavam ser seus discípulos. Tal é a postura do falso religioso distante de Deus. Eles viviam questionando as ações de Jesus. Precisamos tomar cuidado para não fazermos o mesmo. Devemos perguntar para aprender e não para questionar o modo de Deus agir.
Os que hoje se aproximam de Jesus e buscam a sua palavra, com que motivação o fazem? Muitos estão nas igrejas hoje com o simples propósito de construírem seu próprio reino, buscando apenas interesses pessoais e materiais através do evangelho e do cristianismo.
Os fariseus fizeram aquela pergunta, não para aprenderem, mas para poderem acusar o Mestre. Queriam que, diante de muitas testemunhas, ele falasse contra a lei de Moisés em relação ao sábado. Assim, teriam argumento suficiente para o levarem à morte por transgressão da lei.
Eles perguntaram: É lícito curar no sábado? Tal pergunta nos
permite concluir que:
– Os fariseus sabiam que Jesus curava.
– Estavam mais preocupados com a lei do que com o bem das pessoas.
Não havia neles nenhuma compaixão pelo enfermo e nenhuma iniciativa para ajudá-lo.
– Eles mesmos não podiam curar ninguém. Sua religiosidade era vazia, sem poder. Por isso, estavam cheios de inveja. Aqui está o âmago de seus questionamentos e de suas atitudes negativas. A inveja produz desprezo e ódio. Tinham medo de perder sua posição de prestígio e influência sobre o povo.
– Estavam cometendo erro de interpretação e aplicação do mandamento.
A guarda do sábado envolvia renúncia ao trabalho cotidiano para que os judeus descansassem e pudessem se dedicar ao Senhor. Os fariseus ampliaram tanto o sentido do “trabalho” que conseguiram usar o mandamento até mesmo contra os propósitos de Deus. Precisamos tomar cuidado com as nossas interpretações bíblicas, pois muitas heresias e
comportamentos errados têm surgido por esta causa.
– Os fariseus não desejavam experiências sobrenaturais com Deus. Os milagres de Jesus pareciam incomodá-los. Queriam apenas que tudo continuasse na rotina religiosa de sempre. Hoje também, muitos não querem nada que envolva manifestações do poder de Deus.
É lícito curar no sábado? Jesus poderia ter respondido sim ou não, mas ele lhes fez outra pergunta. Assim, ele pretendia levá-los à reflexão, de modo que concluíssem por si mesmos se a cura era lícita ou não.
A pergunta de Jesus envolve uma bela ilustração para o episódio. Ele indaga qual daqueles homens deixaria de socorrer sua ovelha que porventura caísse numa cova no dia de sábado. Jesus fala sobre esse assunto porque o pastoreio era atividade comum naquela época entre os judeus. Jesus está mostrando também que ele é o bom pastor (João 10) e que aquele enfermo era uma ovelha caída na cova. O Salvador estava ali com todo amor e carinho para resgatar aquele homem.
Cristo se importa conosco. Ele nos vê como suas ovelhas. Ele nos procura, nos resgata e nos carrega no colo.
Ao ouvir sobre a ovelha caída, ainda que os fariseus não se sentissem tocados no coração, sentiriam “no bolso”, pois sabiam o valor comercial do animal e não gostariam de ficar no prejuízo, ainda que fosse sábado. Muitos líderes religiosos têm uma visão comercial sobre o evangelho, a igreja e os cristãos, vendo-os como fonte de lucro. Tudo o que essas pessoas ensinam e exigem gira em torno de dinheiro. Cuidado com os tais.
Em seguida, Jesus destaca que o ser humano vale muito mais que uma ovelha. É importante observar que o Senhor nos valoriza. Você tem inestimável valor para Deus, ainda que as pessoas à sua volta não o valorizem. O seu valor não é medido por seus defeitos, pecados ou por suas qualidades, mas pelo imenso amor de Deus por você. Quanto você vale? o mesmo valor do sangue de Jesus derramado na cruz do Calvário.
Jesus encerra a conversa dizendo: “É lícito fazer o bem no sábado”.
Depois da abordagem teórica, vem a prática. Essa é uma diferença fundamental entre a falsa religião e o verdadeiro cristianismo.
Jesus fala e age. Seu ensino não se restringe às palavras.
Os fariseus parecem ter percebido a intenção de Jesus, logo que ele entrou no recinto. É provável que eles quisessem causar um
constrangimento, fazendo-o desistir de curar aquele homem.
Entretanto, ninguém pode impedir Jesus de operar. Queremos cooperar com Jesus ou estamos tentando impedir a sua obra?
Lendo o relato em Mateus 12, Marcos 3 e Lucas 6, temos uma visão mais ampla do ocorrido. Jesus disse ao enfermo: “Levanta-te. Vem para o meio. Estende a mão.”
Uma palavra ou apenas um pensamento de Jesus teria curado aquele homem. Entretanto, o Mestre lhe deu algumas ordens antes de curá-lo.
O enfermo precisa participar de alguma forma. Sua obediência
demonstra sua fé. Ele devia estar sentado num canto da sinagoga.
Jesus manda que ele se levante e venha para o meio. Ele não podia continuar se escondendo. Precisava se esforçar, se movimentar, fazer alguma coisa, sair do lugar.
Pare de esconder o seu problema, sua doença, seu defeito. Mostre para Jesus. Ele pode curá-lo. Creia e obedeça às ordens do Senhor.
Quando lemos sobre os milagres de Jesus, pensamos na doença e na cura, mas existe muito mais. Podemos dizer com toda certeza que a vida daquele homem foi completamente transformada. Pense bem nas dificuldades de alguém que tem a mão direita atrofiada. Sua vida estava prejudicada em vários aspectos, inclusive nas questões profissionais e de relacionamento. Aquela cura foi mais do que física. É o que Jesus deseja fazer hoje e tem feito para muitas pessoas: transformação de vida. Aquele homem tornou-se mais apto para o trabalho. Podia agora ser mais produtivo e ter uma vida mais gratificante e feliz.
V.14 – Saindo dali, os fariseus começaram a tramar a morte de Jesus.
O enfermo saiu abençoado. Os fariseus não receberam nenhuma bênção, desperdiçando aquele precioso encontro com Deus.
Os fariseus tinham um comportamento na sinagoga e outro fora dela.
No primeiro momento até pareciam interessados nas coisas de Deus, perguntando sobre cura e sobre a lei, embora seus propósitos fossem malignos. Depois daquele encontro com Jesus, eles saíram para planejarem sua morte. Nem mesmo um milagre foi suficiente para mudar a atitude daqueles homens.
E nós? O que fazemos fora da ambiente religioso? Andamos com Jesus ou agirmos contra ele? Depois daquele encontro com Cirsto, os religiosos decidiram matá-lo. Outras pessoas que ali estavam decidiram segui-lo. Qual é a nossa decisão? Todos precisam tomar uma decisão sobre Jesus: aceitá-lo ou rejeitá-lo. Os que o rejeitam tornam-se culpados pela sua morte.
V.15 – Jesus poderia enfrentar os fariseus, mas preferiu retirar-se.
Foi um ato de sabedoria, pois ele sabia que ainda não era chegada a sua hora, o tempo de Deus. Alguém poderia pensar que ele estivesse fugindo, demonstrando fraqueza, mas ele não estava preocupado com o pensamento das pessoas naquele momento. O que importava era cumprir o propósito do Pai.
Aquele episódio deixou claro que Jesus queria curar os enfermos. Ele cura nos sábados e nos outros dias da semana. Se você está enfermo, ore ao Senhor. Para tudo ele tem um tempo certo e um propósito.
Submeta-se à vontade de Deus e creia que ele fará o melhor na hora certa.

Anísio Renato de Andrade
www.geocities.com/anisiorenato

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